
Encerrou nesta sexta(23), a temporada de estréia do novo pocket show de Cássio Lucena, que traz o cantor Alan Cléber como protagonista. "Sobre amor e restos", lotou por dois dias a Pizzaria Galileu, no Armazém café em Juazeiro.
É definitivamente uma delícia vê-lo cantar, ele nos arrebata a mente e o coração como mágica, o rapaz nos toma de assalto, e faz com que nenhuma música, eu disse NENHUMA, passe em branco pelos nossos ouvidos. Com a força de sua interpretação, e ao mesmo tempo muita sutileza, eles nos faz frágeis e fortes, para como ele, viver grandes paixões, cair com elas e se reerguer, buscando novas figuras que preencham as molduras vazias presentes no lindo cenário criado por Sandra Guimarães.
A direção musical certeira de Ricardo Nunes, nos traz músicas de gente como: Vander Lee, Ângela Rorô, Renato Russo, Jorge Vecillo, entre outros, que preenchem o repertório de extremo bom gosto.
Ótima a idéia de pontuar a apresentação com textos criados por personalidades da região, alguns nomes como: Beto Binga, Nélia Lino, Adonilson, Dadau Barbosa, e a colunista social Noely Mota, foram convidados para escrever sobre amor, paixão, desejos, e desabores, o problema é que maioria dos textos, não foram recitados com a interpretação necessária, havia uma certa frieza, a direção poderia ter sido mais minunciosa nesse sentido, sei que a acústica não ajudava muito, mas nada que não possa ser resolvido com mais ensaios. Entre os atores destaque para a atuação de Marta Verônica e a participação do próprio diretor, recitando um trecho de uma de suas composições.
Atenção:
A união da voz e a presença forte do cantor, o cenário lúdico, a produção musical muito bem cuidada, e os textos, já oferecem material de sobra para um trabalho coeso e suficiente, acho certos exessos dispensáveis, algumas intervenções, como a cigana que entra lendo mãos, só para confirmar que a música fala nela, a luta de boxe entre dois garotos, que tenta sugerir uma relação de amor e ódio, os arranjos de cabeça carnavalescos, enfim, soluções que na verdade não acrescentam, muitas vezes desviam o foco, daquilo que é mais importante, que é a forma como o protagonista se revela, abrindo seu coração e sua alma, atravéz das canções, com a firmeza de uma interpretação ímpar que ele sempre teve. As composições escolhidas já dizem por si só, tudo o que deve ser dito. Menos é mais!
Esta montagem é realmente diferente das outras, principalmente pelo caráter mais intimista e pela intensidade das músicas, ele nos oferece uma idéia de "confissão", é como se você se sentasse e ficasse ali de longe, vendo Alan contar ou melhor cantar seus segredos, e seus novos desejos. Por isso acredito que o local não foi o ideal, é preciso buscar um outro espaço, que permita criar uma atmosfera, que ajude o público a se concentrar em sua "viajem", e que também possibilite lançar mão de uma iluminação mais precisa, que acentue a dramaticidade de cada momento.
Outro problema foi o figurino, a montagem se ressentiu de um olhar mais firme, na criação dele, havia na maioria das vezes uma cara de improviso, nada contra os figurinos reutilizados, acervo serve também para isso, mas alguns chegavam a lembrar demais referências de musicais anteriores. Por outro lado ele também reserva boas surpresas, como o lindo look com perfume retrô usado por Alan na primeira parte do show e os pierrôs e colombinas em preto e branco que encerram a apresentação, idéia exelente que consegue amarrar o musical de maneira leve, alegre e romântica!
A produção anuncia que em breve o espetáculo fará mais uma temporada em Petrolina, além da apresentação que será feita durante a Feira da pequena empresa, em maio, no Centro de convenções. A todos muito mais sucesso!!!